Oh céus tanto para dizer sobre os últimos 30 e poucos dias da minha gravidez. Após o chá de bebé os dias foram a correr o virús a evidenciar a cada dia mais e o medo instala-se.

Confesso o meu ideal de trabalho de parto era, auto-estrada em alta velocidade, quatro piscas ligados e os carros todos a abrirem alas, kakaka, só que não. As aguas rebentaram, enquanto a minha família entrava em pânico numa vídeo chamada entre Portugal e Irlanda, liguei ao meu medico e fui direta para o Hospital, no pico da pandemia a estrada estava livre e demorei menos de 15 minutos a lá chegar.

Completamente sozinha. Será?

Imaginávamos passar por todos os momentos juntos eu e o meu marido, o corte do cordão umbilical o segurar de mão, contacto pele a pele, enfim.

A expectativa tornou-se uma dura realidade que já me estava a preparar nos últimos meses de gravidez, as noticias eram lançadas, e as instituições de saúde ainda não sabiam como se posicionar, portanto por mais que quisesse ninguém teria uma resposta para me dar. O medo, a ansiedade eram uma constante, mas o que me manteve firme em todo o tempo foi a palavra Dele, sentir era inevitável mas não me deixei levar por isso.
Em trabalho de parto

A entrada do hospital não queriam permitir a entrada do meu marido, mesmo com alguma dificuldade em andar devido as contrações, mas felizmente conseguimos fazer entender o segurança que seria impensável entrar sozinha.

Após o meu registo de entrada, despedi-me e sabia que iria ficar sozinha, sempre crendo que na verdade muito bem acompanhada.

As contrações começaram a aumentar e ainda assim o teste a covid era necessário, devo ter demorado cerca de 15 minutos para andar 2 metros até a sala de testes, o desafio era manter.me quieta enquanto a me colocavam a zaragatoa. O pesadelo mas fi-lo de primeira.

Estava bastante focada, estava ali para dar a luz e não pretendia lá ficar muito tempo a sofrer. Sempre sozinha no bloco de partos, mas de vez em vez supervisionada.

A dilatação acontecia com sucesso, e chegou o momento de fazer força, o médico que realizou o parto é muito conceituado e só o percebi quando no fim questionei o seu nome. Entrei no bloco de partos já passava das 18h e o Kevin nasceu s 23h.

A realidade

O aperto de mão foi substituído pelo apertar forte ao colchão, o contacto pele com pele, por segundos em cima da minha barriga com bata e amamentar nas primeiras horas completamente esquecido, não viu o meu sorriso pois em todo o tempo estive de máscara.

Levaram-no de imediato e um bom tempo de depois trouxeram-mo e aí bem uma explosão de emoções.
Não gosto de hospitais e sempre temi lá ficar muitos dias, e assim foi o que mais temi me sobreveio e fiquei quatro longos dias.

A amamentação foi muito difícil (tema que irei abordar em outro post), não conseguia faze-lo mesmo com ajudas, e o emocional super afetado sem visitas e sem previsão de saída, intenso.
Finalmente quatro dias depois pude ir para casa comer um cabrito delicioso. E pai e filho puderam conhecer-se pessoalmente.

Foi uma experiencia muito diferente do que pensava ter no inicio da gravidez, mas sei que apenas carregamos o fardo que conseguimos suportar, quando excede as nossas capacidades Deus está no cuidado e foi Ele que tornou um momento tão difícil em algo tão belo. Ao cuidado dos melhores e sempre me vi bem acompanhada porque trabalhamos juntos e assim nos mantivemos até ao fim.